Orquestra Caipira em duas Partes

 

(Parte 2)

 

Dois daqueles caipiras se levantaram e começaram a tocar o hino nacional, por respeito acompanhei, admito, bonito, mas não via a hora de puxar o carro. De repente – Oi Pedro! Oi Marina! – Pronto, grande orquestra. A garota que na minha infância fora meu grande amor, estava ali, parada em minha frente com um sorriso lindo estampado no rosto e um olhar encantador.

 

Sensível que sou, a nostalgia tomou conta e encantado com aquela presença, exaltei elogios merecidos e na frente dela, me desligaria novamente do mundo real, regredindo 10 anos lembrei como era bom passar o dia brincando com ela, os momentos de estudo, de passeios. Lembro de um beijo, um beijo ingênuo, mas que quase me fez ter um ataque do coração, oxigênio? Isso já nem sabia mais o que era. Um tempo sem responsabilidades onde só pensava naquela pele macia, definitivamente, meu primeiro amor (desculpa o clichê).

 

- Pedro, por que está com a mão no coração ainda? O hino nacional acabou, disse Marina com um sorriso em seus belos lábios e com um olhar genuinamente malicioso. Pronto, desistir completamente de ir embora, em plena harmonia a orquestra começa a embalar os “hits” caipiras. Primeiro “saudades do meu sertão” e “menino da porteira”, impressionante, até que é legalzinho.

 

Era tanta harmonia entre as violas, os vocais soavam como sabias em dia de canto, num profundo compasso vibrava, sentia no fundo do coração aquelas frases de poetas caipiras, era chocante o sentimento. Os arranjos, um por um, me elevava as sublimes terras perdidas, que só fora do mundo real poderiam ser encontradas. Sentia-me em cima de um cavalo, cavalgando ao lado de Marina contra o vento, em um campo pleno de flores, por todos os lados era natureza, apenas natureza, já nem me lembrava que existira uma metrópole onde as águas e os ares são poluídos, onde o caos reina e que minha rotina era o sentido de minha vida. Só pensava em Marina.

 

A orquestra continuava com suas canções e tentava esvaziar meu repertório de adjetivos, exaltando aqueles senhores de chapéus, mas não existiam palavras para tantos elogios, era o que eu falava sobre ser verdade, ser verdadeiro, algo não corrompido pela mídia, algo que faz parte do Brasil e eu entupido de preconceito, nem percebia o conceito cultural da raiz que aquelas melodias preservaram.

 

Aos senhores e senhoras interioranas cabiam as minhas mais sinceras e profundas desculpas, confesso, não deixarei de ouvir minhas guitarras, mas meus olhos e sentimento para com esta cultura serão outros. Meus finais de semana vazios agora tem destino, meus momentos nostálgicos tem cura e meus sentimentos têm alvo, o rock caipira é minha nova adoção e minha percepção é a cultura brasileira.

 

Maravilhosamente bem a orquestra encerra seu concerto com o sucesso e ovação que lhe é devida, com dever cumprido, o de mostrar que o Brasil não é só futebol, nem carnaval, é também, emoção que faz sentido. Continuarei aqui até o ultimo acorde do sanfoneiro, até o ultimo beijo de Marina e até que o mundo paralelo se misture com o real.

Escrito por Eder Bruno ?s 16h53


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BRASIL , Sudeste , Homem , de 20 a 25 anos , Música , Cinema e vídeo , tomar uma cervejinha com os amigos.

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