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O mundo acabou
Num curto espaço de tempo eu coloquei toda a discografia dos Smiths em minha mochila e passei rapidamente pela cozinha onde peguei um pacote de biscoitos e num ritmo frenético me direcionei ao ponto de ônibus. Ansiosamente contava os minutos no celular e esperava pelo maldito busão, que nos mais longos 20 minutos de minha vida apareceu completamente lotado.
Depois de me espremer naquele transporte, desci na esquina da Brigadeiro com a Paulista. Correndo pela mais bela calçada do estado de São Paulo entrei suando na FNAC, passei pelo departamento de Tecnologia, Música, e sai tropeçando pela escada rolante até a livraria, desesperadamente procurei por “Bangs” em literatura internacional. Ele ainda estava ali, único, solitário, pequeno e vermelho, “Reações Psicóticas”, os textos que tanto queria ter, lindos impressos naquele papel, finalmente no Brasil.
Não pensei duas vezes, com aquele livro na mão parti ao caixa e com meu rico dinheirinho e um sorriso estampado no rosto finalizei aquela compra e então calmamente, sai da FNAC, subi a escada rolante e aquela paisagem de prédios, carros e outdoors centrava minha visão. Novamente na Brigadeiro eu desci em direção ao Ibirapuera livre de ônibus. Em frente ao parque comprei uma água de coco e procurei o melhor lugar para sentar e esperar Amanda.
Debaixo de uma árvore em uma sombra fresca de frente para o Lago, Amanda e eu dividimos os headfones ouvindo todas as músicas dos Smiths, a cada intervalo de CD um texto de Lester era lido em voz alta, e assim passamos toda a tarde. Nós dois nos amando com a sensibilidade da música oitentista e a literatura rock and roll que apesar do atraso, embala nosso século vinte um. É o que sempre digo, o mundo acabou no século passado.
Escrito por Eder Bruno ?s 15h47
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Corinthiano
Onde tudo faz sentido, onde há o ápice da emoção. Conseguia entornar um copo de ácido direto em minhas entranhas e mesmo assim a pele continuara a brilhar irradiante pelo céu azul, se fazia em um salão de festa com um imenso tapete verde penteado. De um lado temidos cavaleiros com suas espadas galanteavam com a força de um voraz dragão para cima de cavalos tortos de enigmática terra da garoa, estúpidos e bárbaros que não valoriza suas terras e seu próprio brasão.
No incompreensível salão com a garra e força de um santo poderoso, os transcendentes cavaleiros corinthianos são prejudicados pelos intermediários juizes que intercalam sua revolta e inveja aos corações alvinegros que, elegantemente revoltosos, buscam explicações para esta inconveniente atitude autoritária paradoxal. Mas os apoiadores e telespectadores que carregam o brasão ardentemente ao coração, e que sente a energia do que é ser digno ao conceito corinthiano de vida, penetrante empurra os cavaleiros o amor que expande.
Hoje se comprova as tendenciosas atitudes arbitrarias que muitas vezes prejudica os nobres cavaleiros fiéis e leva o desencanto ao estímulo corinthiano. No ápice do sentimento nos resta continuar torcendo fervorosamente como é de praxe nessa religião chamada Corinthians. Se merecer algo ser salvo, esses são os ideais e a vontade que a injusta nobreza insiste em desmarcar a nação. É inexplicável, no entanto, resume-se a uma palavra que, eternamente estará ecoando no ar, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor.
Escrito por Eder Bruno ?s 14h35
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Doador
Aline era extremo, seus gestos se resumiam a nomenclaturas digitais, seus desejos, historicamente, estavam estampados em diários eletrônicos, ela tinha a mania de complicar tudo o que era simples, seus critérios eram desordenados, não definia grau de importância, não buscava consenso, ela era uma criança, movida a drogas e muito rock. Esta se tornara assim devido às intensas doses de falsidade que aplicara em muitos que a idolatrava, suas facetas eram pra amarfanhar, não condiziam com o que era ela, por trás daquele monitor uma rata de internet, seu troco veio a calhar. Seu alvo deixara de ser corações alheios e começou a ser sua própria consciência.
Na semana de sua partida, num ato desesperado, ensartou seus poucos pertences com voracidade em uma pequena mochila, e partiu sem um puto no bolso, atrás daquele que um dia ludibriou. Nos seus pensamentos, apenas pedidos mudos e orgulhos de perdão. Uma boca beijando tornara uma boca calada, era sua maneira estúpida de dizer que errou.
Sem nunca ter visto pessoalmente aquele rosto de anjo, aos prantos, Bruno em sua mais confusa dor, procurava entender em que extremidade Aline vivia e se determinada ação fosse prejudicial, já que, por anos, Bruno a esperou para tornar aquela ilusão baseada em promessas, em mais pura realidade. Momentos em que viveram, por meio de cartas, e-mails, telefonemas tão intensos, mudara o rumo de suas vidas enganando o próprio destino e acalentando as tristezas e solidões que longos anos antes de iniciarem o contato, abarrotava suas histórias e atravancava suas felicidades.
Mas que Aline não percebera e fizesse desta, a mais profunda morte que um coração já se deparou. Seus vícios se tornaram doenças, seus atos continuavam inconseqüentes, e aquele louco e desesperado desejo, aquela maneira imprudente de encarar aquele sentimento que nem o maior filósofo do mundo saberia explicar, deixou Bruno numa intensa dose de pavor, excitação e transigência.
Era simples, ele a amava, e num derradeiro ato de insanidade, ela percebeu que ali podia suspender sua vida, deputar seus sentimentos a proteção de Bruno e finalmente, saborear a sensibilidade de um verdadeiro amor, que por muitas vezes deixara esperando. Pouca vivência dessa intensa felicidade foi suficiente para Aline, renovadamente partir com a paz que lhe era endereçada. Precisava apenas do doador.
Escrito por Eder Bruno ?s 15h07
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